sábado, 6 de dezembro de 2014

Os Intocáveis 11a(br) - 8c(Fr)

A via "Os Intocáveis" se localiza no setor Pcc na Serra do Cipó, 8c(fr) 11a, graduada inicialmente por Felipe Camargo (FA) e depois com a "nossa" segunda ascenção e logo uma semana depois com a terceira ascenção de Antoine Hernandez.

A história foi mais ou menos assim, aberta por Alexandre "Fei" e Fábio "Moleza" em 2012/2013, a via ficou meio esquecida e sua imponência selecionava bem quem tentava isolar seus movimentos. O primeiro creio que foi o Felipe "Cabeça", que entrou na via e isolou alguns dos mais difíceis lances e ainda assim não havia confirmação dos betas, depois veio Rafael Passos que enfim tirou os betas mais detalhados, como o estranho começo e a louca parte do meio, aquela parte me parecia bem futurista, boulder graduado em torno de v8/9?... Rafael "Fanfa" também contribuiu dando pegas e deixando a via equipada para futuros trabalhos...Muita coisa envolvida!

Mais ou menos a temporada foi chegando e logo me motivei também, tentar aquela via parecia ser um ótimo projeto para esta temporada de 2014, escalada nova em um dos mais novos setores do cipó. Fino. O tempo foi passando e logo os betas foram se desmistificando, as sequências encaixando, mas ainda havia uma dúvida quanto ao final da via. Um boulder, provavelmente o mais difícil de toda a via. Foi ai que Pedro Rafael com toda sua força e experiência isolou os movimentos do final, um suposto V9 de poucos movimentos e ainda assim Felipe Camargo com sua primeira ascenção lapidou os betas do final tornando mais aceitável e possível a sequência toda.

Acabei misturando os betas depois de muitas tentativas...

Depois do possível 10b? (8bfr?) que é a somatória das duas primeiras partes (começo e meio), vem um descanso não muito bom e você entra no boulder final. Uma laca (folha) boa, uma pinça plana incrível, um "talon empeine", reglete micro (crux), troca pés, lateral pequena, chifrinho e explode no regletão... Assim o boulder vai diminuindo de potência com alguns movimentos mais controlados.

Realmente uma das vias mais difíceis que já "encadenei" e creio que foi possível com a mistura de todos os betas de toda a galera, trabalho de puxar árvore para poder pular uma costura do final que também foi reposicionada, vários dias limpando a via, dedicação total.

Deixo um video roots para a galera...
Boas escaladas!!!
Visitem a Serra do Cipó!!!
 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Back to d roots.

Meio que fora de ordem este post entra antes de "Os Intocáveis" com a 2a cadena do 11a (8cfr) e "Tabuleiro Free Climb" com as possíveis ascenções em livre da grande e imponente cachoeira.

Mas é assim, sem ordem e programação as coisas acontecem... Meio que de surpresa, a mais esperada hora tinha chegado, quando todos os "brinquedos" acabaram e sobraram apenas os verdadeiros desafios. Era hora de fluir. Já sentia chegando a vibração, o momento, mas não tinha certeza e fui administrando entre sessões de boulder e vias fáceis aonde o mais importante era estar escalando bem, tranquilo. Ganhando uma experiência ali, uma confiança aqui, fui aprimorando cada beta de todas as vias que estava escalando, tentando sempre encontrar a perfeição. No dia um vento sinistro me colocou na posição de pensar se realmente queria estar alí, foi simples, bastava começar com o primeiro movimento... Colocar a sapatilha...

...Depois como sempre, alguns longos minutos na posição de simples espectador...Pura conexão!!!

Creio que este foi o maior presente que poderia ter ganho de aniversário este ano, escalar vias clássicas no estilo mais "flow" que existe, senhorrr!!!! Um misto de surpresa e retorno depois de tanto projetar, sonhar e trabalhar pela escalada, foi sincero, um brinde às "janelas perfeitas"...

Hoje penso e fico emocionado em saber que tudo aquilo que acreditava no passado era verdade, escalada após escalada, ganhando experiências para os próximos projetos, novas fases vão se aproximando, caminho sem volta.

Queria dizer que existe uma consciência enorme entorno de toda a escalada realizada, foram anos de dedicação e trabalho. Deixo dois videos para a galera do Brasa, uma pequena amostra dos solos. Em breve full video da Sinos e outras clássicas do cipó, produção independente de "Loucosdepreda" e Bruno Graciano.

Gostaria de agradecer toda a galera do Cipó e amigos que sempre estão dando o suporte!!! Valew Mr.Bean pela vibe e confiança!!! Flowww galeraaa Flowww!!!

Imagens: Leandro Iannotta.

Escamoso 7b+
 
Escamoso FreeSolo from LoucosdePreda.blogspot.com on Vimeo.

Sinos 7b+/c (para"Tablet").
Sinos de Aldebaran FreeSolo from LoucosdePreda.blogspot.com on Vimeo.



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Place of Happiness" em um dia.

Um dia antes, na frequência máxima!!!
Foto: Fernando Lessa 

Desde que me conheço por escalador, escalar grandes montanhas é o presente máximo que se pode ter desta vida, entrar em outro mundo e voltar, viver experiências fora do nosso plano e voltar é algo realmente especial. Escalar uma montanha como esta em um dia foi o maior prêmio que poderíamos ter depois de tanto acreditar e respeitar o tempo...

Este era um projeto meu e do Biê em particular, desde que vimos pela primeira vez as fotos da parede já era óbvio que um dia escalaríamos esta montanha em um dia, ficamos fissurados na época com a idéia e isso nunca saiu de nossas cabeças. O tempo passou e depois de 3 anos concretizamos uma ascenção da via em 3 dias, eu , Serginho e Biê. Após o sucesso de nossa escalada estava ainda mais claro que poderíamos fazer a via em 1 dia. Mais umas semanas se passaram e começamos os planejamentos... BiÊ acabou ficando ocupado com uma nova temporada dos "Montanhistas", Serginho nesta hora muito motivado entrou de cabeça no plano...

Respeitando todas as pessoas, escaladas e tentativas que foram feitas na "Place", fiz um plano em uma folha de papel aonde dividia a via em "horas escaladas" por "cordadas" para prever a chegada ao cume, parecia um plano audacioso bater o recorde do "quase cume" dos atletas profissionais da Adidas que se "perderam" antes da "P17", 5 metros antes de uma chapa e mais 2 metros para a parada e então mais uma cordada para o fim da via... No vídeo a escalada se mostrava bem difícil em um dia...

O plano inicial fazia uma previsão de sairmos do chão as 04:00 e chegarmos ao cume as 17:00, plano que parecia ótimo em comparação a outras tentativas. Naturalmente, sem pressão alguma a escalada fluiu e falando mais alto que nossas expectativas fomos presenteados com a "Primeira ascenção em um dia" da via com apenas 10 horas de escalada, pontualmente de 04:40 à 14:40...

Com o Serginho a escalada se tornou muito tranquila, entramos no ritmo rápido e fizemos as primeiras 6 cordadas "a françesa", direto para a base dos diedros (+-2 horas) com ele guiando. Passei e fiz o primeiro diedro de 7o. Nessa hora rolou um visual surreal do vale, um teto de nuvens baixas e faixas vermelhas de raios de sol com uma leve garroa no ar... Ele veio guiou o primeiro 8c (7b+) do diedro e eu guiei o segundo de 9a (7c) que tem seu crux bem marcado no diedro abaolado. Neste momento (+- 09:00) estávamos nos sentindo tão bem que resolvemos abandonar a mochila em um buraco abaixo da parada e subimos apenas com uma garrafinha de água cada, 2 maças e uma barra de "diamante negro". Seguimos mais duas cordadas assim, ele guiou o próximo 8c e eu o negativo 9a que deu um certo trabalho de resistência com uma certa sensação de câimbra nos braços a todo momento de "blocância", rs... Chegamos na P11 aonde rola um ótimo ponto para "portaledge" antes do meio dia, totalmente adiantado em relação ao plano inicial e tínhamos um tempo para descanso que foi ignorado pela vontade indomável de subir a pedra. Continuamos como loucos em um ritmo bom porém bem controlado, com segurança ( clipando todas as chapas, diferente da primeira parte à francesa aonde clipamos apenas as paradas...) fomos passando parada por parada até voltar ao estilo "à francesa" nas últimas 3 cordadas e finalizando com uma certa "euforia" oque foi por todo o dia uma longa e meditativa escalada...

Foi mágico, chegar no cume mais uma vez nos trouxe uma sensação de paz, alegria, missão cumprida e gratidão por tudo, horas de empenho e determinação, paciência. Ficamos quase uma hora "viajando", curtindo o cume e observando outras vias para se abrir (Projeto Travessia História sem fim para 2015) e começamos a descer às 15:30, chegando em terra às 19:30... Incrível...

Dicas:
_ Duas Cordas de 70 podem diminuir número de rapel em cordadas variadas como da p13 para p11 e outros...
_Particularmente prefiro o rapel pelos diedros ao invés de rapelar direto para o grande platô das árvores ao lado.
_ Para a cordada de 8c do diedro melhor usar o nut 00 ao invés de microfriends na parte "expo", não caímos, então cuidado com o teste.
_ Para a cordada de 9a do diedro usar .75 no lugar da agarra de mão e entrar no crux aceitando o abaolado do diedro e movendo o pé esquerdo alto, ganha altura, entra no diedro e coloca um número 3.
_ Para a cordada de 9a do negativo, após o negativo dar a volta pela direita e pegar um diedro, voltando para a esquerda depois para acessar a chapa.      
_ Para o final da via. P17 seguir reto na rampa que não tem nenhuma chapa, passar os bicos e seguir reto no vertical, logo aparece uma chapa e a parada.

Agradeço aos que sempre me apoiam, minha família, meus amigos, Edimilson Duarte por nossa estadia em seu refúgio e ao Serginho que patrocinou a gasolina da viagem.

Fica guardada minha eterna felicidade em poder concretizar da maneira mais simples o que antes era para nós um dos mais fatos complexos... Vlw Serginho e Biê!!!

...e os trabalhos não param...

Próximo post: Escalada em Livre na Cachoeira do Tabuleiro e Segunda Ascenção da via "Os Intocáveis" na Serra do Cipó.

Bons Ventos e Boas escaladas!


domingo, 3 de agosto de 2014

Pedra Riscada - "Place of Happiness"

Há alguns anos atrás fiquei sabendo da existência da Pedra Riscada através de notícias da conquista de uma linha impressionante nomeada "Place of Happiness", o lugar da felicidade. Só isso já era o suficiente para gerar o interesse em muitos escaladores.

Pedra Riscada vista pela face nordeste. Foto: Bernardo Biê.

Passado algum tempo vários grupos tentavam repeti-la, entre sucessos e fracassos alguns deixavam suas experiências registradas em relatos empolgantes, o que motivava ainda mais outros a tentar o feito de escalar seus 850 metros de puro granito.

Sérgio Ricardo aos pés da Pedra Riscada com a via
 "Place of Happiness ao fundo. Foto: Bernardo Biê.

Desde então alimentamos essa vontade e começamos a planejar nossa tentativa, mas os caminhos da vida pareciam não colaborar para que de fato isso acontecesse. Foram 3 anos coletando informações, combinando, planejando, alimentando essa semente, mas ainda sim na hora "h" alguma coisa impedia nosso avanço em direção a tão esperada montanha.

De repente, meio que na marra, as coisas foram se encaminhando e em 1 semana tudo estava pronto para nossa partida à cidade de São José do Divino, nordeste de Minas Gerais, quase na divisa com o Espirito Santo.

Os escaladores Lucas Marques, Bernardo Biê e Sérgio Ricardo 
durante a repetição da via "Place of Happiness". Foto: Lucas Marques.

Tive a sorte de me juntar a dois escaladores que admiro, e ainda mais sorte em poder compartilhar essa experiência com eles. Por coincidência dois mineiros radicados no Rio de Janeiro, Lucas Marques e Sérgio Ricardo. Todos super motivados a fazer essa escalada juntos, esse foi o combustível que precisávamos para alcançar esse cume. Estava escalando desde o começo do ano em parceria com o Sérgio, fizemos uma boa sequência de escaladas, mas fazia algum tempo que não via o Lucas, já não me lembrava a última vez que escalamos juntos mas sabia que ele estava afiado e sedento por essa oportunidade. 

Bernardo Biê no 1o diedro da via "Place of Happiness". Foto: Lucas Marques.

Nossa estratégia inicial era bem diferente da que adotamos. A princípio o mais importante era ir leve e ser ágil para tentar o cume em um dia, mas concordamos que seria mais divertido passar mais tempo na parede, desfrutar dos detalhes que a via poderia nos oferecer. Logo essa opção ganhou força e decidimos levar o acampamento para a parede.




Sérgio Ricardo guiando o 2o diedro , 8b/c br (7b/+ fr). Foto: Bernardo Biê.

Juntamos tudo que era preciso, com algumas exceções, e partimos de ônibus para Belo Horizonte encontrar o Lucas e seguir de lá de carro para São José do Divino. Depois de quase 14 horas total de viagem finalmente chegamos aos pés da Pedra Riscada de frente para a face nordeste, já tarde da noite decidimos bivacar na beira da estrada. O céu estava tomado por estrelas e não se passava nem 5 minutos sem que uma estrela cadente cruzasse sobre nossas cabeças. Claro, todos os pedidos eram os mesmos, fazer o tão desejado cume.

Lucas Marques guiando o 3o diedro, um dos cruxs da via 9a br (7c fr). Foto: Bernardo Biê.

Como escalaríamos com suprimentos e equipamentos para mais de um dia na parede, nossa estratégia era descansar um dia antes de começar a empreitada. A ansiedade era quase incontrolável, ainda nos seguramos bastante mas às 15h começamos as primeiras 6 enfiadas com o objetivo de deixar o haulbag e as mochilas no final do primeiro terço da parede. Às 19h começamos a descer com o objetivo concluído.

Bernardo Biê guiando a saída do último diedro, um dos cruxs da via 8c (7b+ fr). Foto: Sérgio Ricardo.

A via Place os Happiness está localizada na face nordeste da Pedra Riscada e conta com 18 enfiadas, na sua maioria de 60 metros de extensão cada uma, com graduações que variam entre o 4º grau e o 9º grau brasileiro. É uma via exigente, tanto no aspecto físico quanto no psicológico, pois além da dificuldade técnica ela também oferece alguns lances onde a possibilidade de queda não é muito agradável nem muito menos uma opção. Todos esses elementos atraiam ainda mais a gente e nesse embalo acordamos bem cedo para, ai sim, começar a escalar a parte exigente da parede.

Fomos revezando as guiadas e içando todo suprimento com o objetivo de alcançar o topo da 11ª enfiada. Enquanto um guiava outro participava e um jumareava, num esquema bem coordenado subimos pesados porém rápidos. Pelas informações que tínhamos ali, no topo da 11ª enfiada, era o melhor lugar para montar o portaledge e passar a noite. Realmente, naquele ponto da parede existem proteções que foram deixadas pelos conquistadores para esse fim, tudo indica que eles mesmos tenham permanecido ali por alguns dias enquanto conquistavam a via.

Os três escaladores no acampamento suspenso durante 
a manhã do segundo dia. Foto: Lucas Marques.

Para alcançar esse objetivo que traçamos tivemos enfiadas difíceis mas ao mesmo tempo incrivelmente lindas. Inacreditável como existem boas agarras entre alguns lances difíceis e algumas vezes desprotegidos. A via se mostrou ser totalmente o nosso estilo, a cada enfiada que vencíamos ganhávamos força e a vibração estava contagiante!

Ainda tenho as imagens na cabeça do lindo pôr do sol ao fundo enquanto montávamos e organizávamos nosso acampamento suspenso.


Apesar da noite estar super estrelada o vento era bem forte ao ponto de incomodar, não tivemos uma boa noite de sono. Dormir 3 pessoas em um equipamento feito para 2 pessoas não foi nada agradável, mesmo assim faltava apenas um terço da parede e as enfiadas mais duras tinham ficado para trás, tudo indicava que chegaríamos ao cume.

Acordamos bem cansados de trabalhar no içamento dos nossos suprimentos e ainda revezar as guiadas principais da via. Sem deixar a bola cair fomos tocando pra cima até que uma chuva inesperada nos alcançou depois de termos escalados 3 enfiadas, as mais difíceis do dia. Parecia que era o fim da nossa tentativa, mas de repente ela parou. Ainda confiante continuamos mais um pouco até ela voltar com tudo. E assim fomos, vencendo enfiada por enfiada entre o vai vem da chuva. No fundo torcia para que as últimas enfiadas não estivessem molhadas, pois deveria ser a parte mais exposta, já que a parede perdia inclinação drasticamente se tornando uma rampa nos últimos 100 metros, com pouquíssimas proteções. Pois bem, a chuva parou totalmente como que dando um sinal de que os Deuses nos permitiriam pisar no cume nesse dia. Dito e feito, misticamente tudo parou, a chuva, o vento, o tempo parou para os três pobres mortais explodirem de alegria ao alcançar o tão desejado cume da Pedra Riscada. Enquanto comemorava o feito, um lindo arco íris nos abençoava ao fundo. 

Sérgio Ricardo, Bernardo Biê e Lucas Marques no cume da Pedra Riscada depois 
de escalarem a via "Place of Happiness". 
Foto: Lucas Marques.

Tudo indicava que nossa descida  seria menos difícil do que pensávamos, já que tudo conspirava a nosso favor. E foi exatamente o que aconteceu, tudo deu tão perfeito que ao retornar para o portaledge decidimos recolher acampamento e descer imediatamente da montanha. Depois de rapelar por volta de 7 horas seguidas chegamos na base da via, por sorte apenas na última puxada de corda do último rapel, já com os pés no solo, a corda prendeu e tivemos que escalar uma parte da enfiada para retira-la.

O show da natureza durante a descida do cume. Foto: Lucas Marques.

As 23h da noite o jantar já estava sendo feito e o banho tomado, pareciam 3 crianças que acabavam de chegar do parque de diversões. Era inacreditável como tudo tinha dado tão certo, a sensação era de que uma verdadeira benção havia sido lançada sobre nós, principalmente porque no dia seguinte o tempo fechou e não parecia ser uma boa idéia estar na parede diante do clima que se formava. Aproveitamos para conhecer as outras faces da Pedra Riscada dando a volta por toda sua circunferência. No trajeto fomos até a cidade de São José do Divino guiados pelo nosso amigo Edimilson Duarte, ilustre cidadão da cidade e o maior incentivador das atividades de montanha na região. Edimilson é dono do Recanto Pedra Riscada, onde a maioria dos escaladores se abrigam, além de ser um dos maiores conhecedores da região, ele é o responsável pela divulgação da escalada e junto de escaladores mineiros está organizando o primeiro guia de escaladas da região.

Não vejo como poderia ter sido melhor, graças aos Deuses da Montanha e as diversas informações que conseguimos ao longo do tempo que planejamos fazer essa escalada com êxito e em segurança. Desde os relatos de outras pessoas que vivenciaram diferentes experiências e as divulgaram, até amigos que pessoalmente nos deram dicas sobre detalhes da via, todas as informações foram úteis e importantes, algumas pontualmente primordiais.

Nossos agradecimentos a: Silvio Neto (www.verticale.com.br), Daniel Araújo (www.rocksinrio.com.br), Flávio Daflon (www.ciadaescalada.com.br), Sergio Tartari (www.refugiodasaguas.com.br), Leonardo Mogli, Felipe Cabeça (www.4climb.com.br), que nos deram as dicas sobre a escalada e os lances importantes da via; ao Pedrinho da Adrena (www.adrenaesportes.com.br) por indicar as estradas e o melhor caminho; Edimilson Duarte e a Prefeitura de São José do Divino; e a todas as pessoas que de alguma forma nos ajudaram nessa empreitada.




quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Fanática Lu - primeiro 10b feminino - cadena da via Vaca Louca

O dia 08 de janeiro de 2014, por pouco não entra para história como um daqueles dias mais quentes de todos os tempos da cidade do Rio de Janeiro. Calor de rachar, asfalto quente, sensação térmica de 50 graus. Nada disso foi desculpa para a escaladora Carioca, Luciana Di Franco, deixar de desafiar o calor e fazer história. Nesse dia Luciana foi a primeira escaladora brasileira a encadenar uma via de escalada cotada em 10b.

26 anos atrás, essa graduação já havia sido escalada por uma escaladora francesa chamada Isabelle Patissier. Luciana, mesmo tendo morado no brasil até os 26 anos de idade, nunca deixou as adversidades abalarem sua paixão pelo climb. Carioca, quando morava na Ilha do Governador, sempre teve que pegar vários ônibus e encarar algumas horas de trânsito para poder chegar nos picos de escalada. No Rio de Janeiro, parece que tudo conspira contra os montanhistas em manter o foco na escalada. Calor, praia, noitadas e a cultura da boemia, fazem com que apenas os escaladores mais fanáticos consigam se manter no trilho da disciplina e alcançar um nível elevado no esporte.

E talvez por ser uma escaladoras das mais motivadas, Luciana tenha decidido largar uma carreira promissora no campo das Ciências Sociais para viver seu sonho e morar em Rodellar, hoje a meca da escalada esportiva Mundial. Lá Luciana fez escola e solidificou a graduação de nonos e décimos. Mas apesar de morar no paraíso do Climb, foi tirando férias no Rio de Janeiro, e enfrentando as piores condições de temperatura, que  ela garantiu para si o presente do 10b, encadenando a via Vaca Louca, a qual é com certeza uma das linhas mais clássicas do RJ.

Um presente que ela dividiu com todos os escaladores cariocas e principalmente com seu namorado Luis Cláudio Pita, que por uma feliz coincidência também é o conquistador da Via.

Parabéns Luciana, continue fanática! Venga Lu, VAI LUUU!!!

Luciana na via Vaca Louca - 10b

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Patagônia Argentina - Parte2


Depois de passar um tempo no Brasil renovamos as energias e as expectativas para voltar a Argentina. Desta vez o destino era ao norte, perto da região da cidade de Mendoza, onde poderíamos otimizar nosso tempo de viagem com previsão de tempo bom e temperaturas agradáveis para escalar por mais dias.

Saindo do Rio de Janeiro fomos direto para Mendoza. Lá aproveitamos para conhecer algumas das atrações turísticas  famosas, como as plantações de uva e azeite, talvez as principais atividades de toda a região. Um passeio bastante interessante onde pudemos nos aproximar da cultura local, entender melhor sobre a importância da água e como os habitantes a utilizam em seu dia a dia.

Ficamos na cidade tempo suficiente para fazer as compras e organizar a logística de acordo com nossos objetivos. Contatamos Yagua Rubens, um personagem local que faz o translado entre Tunuyam e Cajon de Arenales, seus serviços são indispensáveis e o pouco tempo que ficamos em sua presença foi uma experiência marcante, recheada de muitas estórias e passatempos de sua vida.

Em Arenales ficamos acampados perto do refúgio que servia de base para cozinhar e para os dias de chuva, que por sinal foram totalmente atípicos para a região.

Tivemos apenas 3 dias completos de sol em que pudemos escalar pequenas vias ao redor do refúgio e uma via de aproximadamente 200 metros chamada "Patrícia", um verdadeiro clássico local. Essa foi um delírio, desde fenda frontal perfeita passando por chaminé aérea, lances em diedros e escalada técnica em agarras, praticamente toda em móvel com algumas paradas em cantoneiras.

Silvio Neto na 1a enfiada da via "Patrícia", Cajon de Arenales. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.. 

Os dias que se seguiram foram literalmente um desastre. Partimos para escalar a agulha Campanille Alto, uma agulha que fica no alto do vale há aproximadamente 3h de caminhada íngreme desde o refúgio. A via escolhida se chama "Harmonica", uma via bem bonita, começa numa blocaria e passa por lances em fendas duplas paralelas que vão de entalamento de dedos alargando até entalar os punhos, depois uma enfiada de entalamento de meio corpo e blocaria até o platô da última enfiada. Diante da última enfiada - uma fenda frontal linda - a chuva de granizo caiu com força nos obrigando a descer de imediato, pois muitos raios caiam bem perto de nós. Descemos até o refúgio com todo o equipamento encharcado. A noite desse dia passamos apreensivos. Uma chuva que nunca poderíamos imaginar num local onde todos os escaladores que conheço diziam ser um dos lugares que menos chove em toda a Argentina.

Foram horas seguidas de chuva intensa e pesada acompanhada de raios e trovões de deixar qualquer um acordado. Já não era possível distinguir o som dos trovões e o dos desmoronamentos de encostas ao redor do camping. Passamos metade da noite acordados em alerta na barraca. Certo de que todos estavam assustados, dormi com o canivete nas mão e a lanterna na cabeça, caso alguma coisa acontecesse meu instinto era rasgar a barraca e correr!

Bernardo Biê e Silvio Neto em Cajon de Arenales.Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

No dia seguinte vimos o estrago que a chuva causou na região. Eram blocos imensos de pedra que haviam rolado encosta abaixo, alguns eram do tamanho de tanques de guerra, pararam apenas alguns metros de onde estávamos acampados. O rastro dos blocos era inacreditável, o riacho se transformou em um rio que se dividia em dois e em alguns trechos tomava a estrada de terra que dava acesso ao local. Passamos mais dois dias sem saber se o translado iria conseguir chegar até o ponto combinado ou se teríamos de descer os 18km até onde o carro chegaria com tranqüilidade.

Por fim, no dia que planejamos ir embora tudo indicava que seria um ótimo dia de escalada. Aproveitamos a informação de que dois escaladores estavam indo embora - também combinaram com o mesmo translado que o nosso - para comunicar que ficaríamos mais um dia. Partimos ligeiros para escalar a agulha Espina que fica ao lado da agulha que tentamos na investida anterior, porém tudo se repetiu como um disco arranhado. Desta vez ainda escalamos durante a chuva de granizo acreditando que teria uma trégua ao fim daquela enfiada, mas não foi o que aconteceu. Descemos com a certeza de que tentamos de todas as formas, só que a natureza não estava ajudando muito dessa vez.

Arrumamos as coisas e descemos no dia seguinte rumo ao Sul. O destino era o mais esperado por todos nós, finalmente nossa equipe chegava a cidade de El Chaltén no extremo sul da Patagônia. Região de grandes feitos no montanhismo, incríveis aventuras, inesquecíveis personagens.

E lá estávamos, dias e dias aguardando a tão esperada "janela" de bom tempo. A grande fama dessa região é essa, o normal é ter dias bons entre meses de dias ruins. Enquanto aguardávamos a janela, aproveitamos para escalar ao redor da cidade, fizemos uma sessão de boulder com nosso amigo Caio Gomes que foi muito motivante, mesmo em condições desfavoráveis de frio e vento a gente dava boas risadas entre as tentativas nos blocos de alta qualidade para a modalidade.

Ainda nessa vibração, escalamos nos paredões do outro lado do rio. Vias esportivas de qualidade distinta, não pela dificuldade mas sim pela diversidade de agarras e movimentação. Aproveitamos e escalamos uma via clássica de três enfiadas de puro desfrute, pena que quando voltamos nessa via em outro dia quase fomos atingidos por uma chuva de pedras, algumas grandes como um microondas, ficamos bem atentos dali em diante. De certa forma serviu para nos lembrar em que ambiente deveríamos sobreviver.

Bernardo Biê escalando nos arredores da cidade de El Chaltén. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

Assim ela veio pra gente. Não se falava em outra coisa na cidade senão numa janela de 4 dias que estava por abrir nos dias seguintes. Traçamos a melhor estratégia dentro do que a gente podia fazer naquela situação. Foram 10 horas caminhando da cidade até o bivaque conhecido como "Polacos". Uma caminhada inesquecível de aproximadamente 38km que passa por bosques, rios, subidas e descidas até o glaciar que fica no Vale do Torre, um esplêndido corredor de gelo entre o cordão do Fitz Roy e o cordão do Cerro Torre.

Encontramos os escaladores Eduardo Formiga e Flavia no meio do glaciar. Eles estavam desistindo da investida por falta de mantimentos, imediatamente oferecemos tudo que era possível com o que carregávamos até eles se convencerem a continuar conosco. Dormimos amontoados no chão ao lado de um bloco de pedra, já que o bivaque "Polacos" estava lotado por outros grupos de escaladores, resolvemos andar alguns minutos acima até encontrarmos esse lugar mais protegido do vento. A noite foi um show a parte, as estrelas cintilavam no céu anunciando que o dia seguinte prometia. Fizemos uma fogueira com um pedaço de madeira que o Formiga achou no meio do glaciar. Depois soubemos que outras equipes que estavam dormindo no meio das grandes paredes viram nossa fogueira ao longe.

Nessas ocasiões é comum não conseguir dormir, seja por ansiedade ou pelo desconforto. Logo cedo, antes do sol nascer, o café da manhã já estava pronto e as mochilas fechadas para começar a longa aproximação até a base da via. A escalada na agulha De La S começa numa canaleta de gelo com inclinação de 50º, levamos no total 3:30h do bivaque até a base da via. Como não havia muita neve, pudemos fazer toda a aproximação de tênis sem precisar de botas e crampons, sempre negociando entre o gelo e a rocha até a base da escalada. A  base da via Austríaca fica no colo entre a agulha Saint Exupéry e a De La S, dali em diante começava a escalada em rocha.

Agora, sentindo mais a vontade do que nunca, escalamos a primeira parte da via que chega a um grande platô onde caminhando fazemos o link para as enfiadas que levam ao cume da agulha. Uma escalada linda, diante de um visual hipnotizante. Em pouco tempo chegamos no pequeno cume da De La S, o dia estava maravilhoso com temperatura amena e a visibilidade clara. Curtimos alguns minutos ali contemplando as montanhas ao redor e refletindo sobre tudo que nos levou até aquele momento em nossas vidas, toda sutileza que nos fez escolher esse caminho na vida até tudo que passamos nessa viagem para conseguir estar ali no cume.

Bernardo Biê na via "Austríaca" da Agulha De La S, El Chaltén. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.. 

Depois de um breve momento de silêncio, nos cumprimentamos felicitando o sucesso da subida e começamos o procedimento da descida, parte mais perigosa de toda aventura. Em algumas dezenas de minutos e poucos imprevistos chegamos na base novamente. Descemos ligeiros até o bivaque onde o grupo se separou, metade resolveu ficar para dormir mais uma noite no vale, descansando para enfrentar os trinta e tantos quilômetros da volta, enquanto a outra metade seguiu ao escurecer para tentar chegar na cidade ainda na madrugada, já que teria show de uma banda local bastante famosa por lá e seria perfeito para fechar com chave de ouro a empreitada.

Infelizmente nos perdemos no glaciar que já estava completamente diferente de quando passamos na ida, e com isso perdemos muitas horas. Cansados acabamos optando por bivacar já quase na saída para a trilha que nos levaria até o camping De Agostine, onde avançaríamos com mais facilidade até a cidade.


Silvio Neto e Bernardo Biê em direção ao Glaciar del Torre, com o Cerro Torre ao fundo. Foto: Seblen Mantovani/CanalOff..

Acordamos com outro dia sensacional de sol, sem vento, temperatura agradável e um céu de brigadeiro. Tomamos café da manhã e seguimos para a cidade. No meio do caminho encontramos um grupo grande de escaladores que nos deram uma notícia não muito animadora, eles estavam organizando o resgate de dois europeus que se acidentaram numa das montanhas do Vale do Torre. No dia seguinte soubemos que o resgate teve êxito e que os escaladores acidentados já estavam sob os devidos cuidados.

Fato impressionante e que mexeu muito comigo, foi perceber que todos na pequena cidade de El Chaltén estão sempre dispostos a salvar a vidas daqueles que se arriscam nas montanhas locais. Inevitável refletir sobre a responsabilidade que temos em nos colocar numa situação perigosa e arriscar a integridade das pessoas que terão de fazer um resgate, caso seja possível. E como é levado a sério o assunto por lá, ver a gana e a disposição de pessoas que largam tudo que estão fazendo (trabalho, família, compromissos etc)  e saem correndo com vontade de salvar a vida de alguém, seja esse alguém merecedor ou não desse empenho.

Bernardo Biê no cume da Agulha De La S, El Chlatén.  Foto: Seblen Mantovani/CanalOff.

Por fim, me senti realizado de ter conseguido sucesso na primeira empreitada nesse região, além de muito sortudo por pegar de cara uma janela de tempo bom e poder escalar uma montanha ali. Apesar disso, tivemos que ir embora no meio de outra janela incrível de 6 dias. Foi duro ver todos passando com as mochilas para o vale com o brilho nos olhos de quem está indo de encontro a realização de um sonho, mas foi instantâneo canalizar essa "inveja boa" emanando boas vibrações, rogando proteção e sucesso para que tudo corresse bem para todos.

Depois de tantas aventuras pela Argentina: Frey, Tronador, Parede Blanca, Piedras Blancas, Villa Llanquin, Arenales, Chalten e tantas experiências engrandecedoras, pude sentir o quanto a escalada em montanhas pode oferecer a um montanhista em sua existência essencial.

Voltei ao Brasil com a certeza de que é uma questão de tempo retornar a El Chaltén para mais uma aventura nas belas montanhas da região!


Por Bernardo Biê

terça-feira, 14 de maio de 2013

tEW - Fim da temporada...

"Muraco" - Futuro da escalada na Espanha...

Joe e Pita

Impossível entender a dimensão...

Joe Kinder escalando o projeto do Pita - 8c+?
Colette, sempre mandando muito...

A temporada chegou ao fim e junto veio a primavera cheia de transformações, mudando tudo de todas as formas. Reflexo disso são nossas mudanças pessoais, sensações e novas maneiras de ver tudo que nos cerca. Depois de Mont_Rebei senti a necessidade de ir para outros lugares, viver de outra forma e escalar com outra consciência...

Chegando em Rodellar pude perceber um novo universo que existe, muita escalada que estava a um passo e que agora me percebo imerso, inúmeras vias e setores que pareciam impossíveis de escalar.

Começamos por algumas escaladas nos setores mais clássicos de "Rode" e depois fomos visitar o "Muraco", este novo setor promete e penso que será um dos muros mais difíceis do mundo. Oliana e qualquer outro que pareça grande se torna pequeno perto deste gigante. Depois fomos direto para as "Ventanas", anfiteatro da melhor qualidade que tem algumas das melhores vias da região. Claro, sem dúvida fui direto para meu "Mega_projeto" da vida...rs. A linha foi equipada seguindo uma sequência de chorreiras  no começo em direção ao grande teto, à direita do setor. São em torno de 18 costuras e mais ou menos 35 metros, muitos deles em completo teto passando por várias sessões de "crux". A via antigamente era um "8c" soft, mas depois de quebrar algumas agarras a via se transformou em um "8c" hard, eu diria, um "8c.8/9", mais difìcil que todos os outros "8cs" que provei na vida. Na verdade a dificuldade não se baseia na graduação, e sim no "mito", imponência e história da via...

Independente de qualquer coisa, já me sinto abençoado em poder "desfrutar" dos novos conhecimentos, sempre aprendendo, me divertindo e "linkando sessões" desse surreal pedaço de pedra. Deixo uma sequência de fotos da via, algo que realmente me inspira e que espero que sirva de inspiração para todos nós "Loucosdepreda"...                                                                                                                            

..."Pata_Negra"...
                                 
...Cenário de novas perspectivas...
Fotos: Joe Kinder e Colette McInerney












Foi incrível todos estes anos, sempre aprendendo com as pedras e compartilhando minhas experiências, maneiras de ver o mundo. Era meu jeito de compartilhar, minha maneira de passar aos amigos mais íntimos minha visão sobre escalada. O blog nasceu assim, um grupo da "barrinha" que gostava de compartilhar fotos e experiências e com o tempo fomos crescendo e naturalmente nos separamos, era uma maneira de continuarmos juntos...

Aniversário na casa do Pedro - 2005/6... Arquivo pessoal.
Como a estória da "espiral", fomos , voltamos, fomos novamente e com tantas "idas e vindas" agora é hora de uma mudança mais forte... Sair da "espiral" agora parece ser o passo a diante, o inicio de uma nova fase. Agora penso em parar de escrever por um tempo, reflexo de muita coisa que vivi aqui dessa vez e coisas que tinha vivido no Brasil no último ano que estive lá, algo mudava e dava inicio ao fim do ciclo...

Mesmo assim tentei mais uma vez compartilhar essa última "trip" e acho que foi especial. Foram vários momentos incríveis, vários "presentes" ao lado de pessoas muito especiais... Com mais foco espero continuar minhas escaladas, meus projetos e quem sabe no futuro volto a outra "viajem"... Quem sabe?

Deixo um enorme abraço para toda comunidade que sempre me ajudou de todas as formas, amigos que sempre estiveram comigo vibrando na mesma sintonia...

Sobe a pedra galera!!!
 Boas escaladas... Sempre!!!

                                                                                                                                       Lucas




terça-feira, 30 de abril de 2013

ATM 2013


Desde que me vejo como escalador, a Abertura de Temporada de Montanhismo sempre foi um grande marco para mim. Todo ano religiosamente comprava a camisa do evento para ter de recordação. Lembro-me da minha primeira temporada em 2002, montaram um muro amarelo no meio da praça, com dois negativos fortes, agarras todas do Pita. Não resisti e fiz a inscrição. Para minha surpresa terminei em quinto no meu primeiro campeonato, e melhor ainda aficionado pelo climb. A minha experiência com a escalada naquela época se resumia ao muro e uma escalada no Costão do Pão de Açúcar, que eu achava o máximo e olhava para o Morro da Babilônia como uma coisa futurística. Participar desse evento me fez conhecer um outro mundo, ver vários escaladores comentando sobre vias, cadenas, betas, picos novos, um universo acabará de se abrir. Onze anos se passaram e lá estava eu de novo, olhando para aquele murinho montado no meio da praça, vários escaladores novos, super motivados, a galera da antiga, as barraquinhas, como se tivesse parado no tempo. Esse ano foi montado um muro de boulder bem alto, que proporcionou quedas incríveis.
 

 
Os route setter, Ralf Cortez e Xandinho, não decepcionaram com linhas realmente incríveis. Muitos competidores inscritos no campeonato mostraram o crescimento do esporte com a abertura de novos ginásios de escalada, como a Evolução e o Centro de Escalada de Jacarepaguá, e a permanência de antigos, como o clássico Limite Vertical. Na final feminina Bianca Castro, vulgo "Bibi", passou o rodo e mandou todas as vias. Em segundo lugar veio a mineira Patrícia Antunes que escalou muito, em terceiro lugar a brasiliense Raissa Dias que também apertou forte.
 
 
 


 Na final masculina o nível estava altíssimo, o mineiro Jean Ouriques mandou tudo a vista de forma sólida, só sobrou a disputa do segundo lugar, que ficou entre o escalador Miguel "Estevão" e Pedrinho de "Friburgo", numa disputa acirradíssima boulder a boulder. No final Miguel ficou em segundo e Pedrinho em terceiro. Mais uma abertura se passa e fico pensando o que me faz vir todo ano aqui? Acho que a única coisa que todos os escaladores têm em comum: a simples paixão pela escalada...
Guilherme Taboada

sexta-feira, 26 de abril de 2013

tEW - Mont_rebei - Croquis

Seguindo post anterior, venho finalizar o assunto "Mont-rebei" com "croquis" de duas vias que me parecem muito boas... "Miedo a volar" e "Globeros en Alaska" são as duas opções que tenho em mente para escalar em breve e conhecer mais a parte da catalunia que parece muito perfeita ao sol da tarde...
       

 Desejo a todos uma boa "revisão" pessoal dos conceitos sobre o projeto e espero que possamos "caminhar" em paz pelas paredes mágicas da região...


Futur...a muerte...escalar es bell en sí mateix, i tot es possible...llibertat i respecte...tots hi cabem...
                                                "Tranki Tr"

"Globeros en Alaska"

 


Boas escaladas...

fonte/croquis: Desnivel